terça-feira, 15 de novembro de 2016

Qual o papel da família para a recuperação do dependente quimico



Apesar dos relatos do uso milenar de drogas, a mudança do contexto de uso, anteriormente ligado para fins ritualísticos, passando principalmente para o recreacional e ligados ao prazer, tem trazido alguns desafios para a sociedade moderna. Acrescenta-se a isso, aspectos geopolíticos, culturais, ideológicos e econômicos envolvidos no tema que são base para interpretações do que pessoas e sociedades pensam e julgam sobre o comportamento de consumo de drogas.
Portanto, é importante entendermos em que contexto fazemos nossos julgamentos sobre “o que é usar drogas” e o que está por trás do que é lícito ou ilícito. Frente à complexidade do tema, temos o grande desafio de organizar nossos serviços e sistemas de cuidados aos usuários de drogas para evitar que estes reflitam visões equivocadas sobre como “resolver o problema das drogas”. O preconceito, discriminação e estigma aos usuários é uma barreira importante para o tratamento. Para além das abordagens técnicas de cuidado, a esfera da relação entre profissional e usuário aparece como um fator fundamental para o cuidado adequado.
Sabemos que muitos portadores de sofrimento mental e usuários de drogas são alvo de estigmas que os excluem do direito ao cuidado à saúde. Pretende-se, assim, contribuir para um tratamento mais adequado do estigma relacionado aos usuários de drogas e para a realização de intervenções junto aos mesmos a fim de reduzir o estigma e, consequentemente, melhorar o cuidado da saúde dessas pessoas.

Qual o papel da família para a recuperação de
dependentes de substâncias e como incluí-la no
tratamento?

As pessoas que crescem em ambientes familiares sem regras claras e com uma relação pobre com os membros da família apresentam maiores chances de se engajarem em comportamentos de risco, como o abuso de álcool e outras drogas. É sabido que pessoas com problemas com álcool e outras drogas sofrem um impacto negativo em suas relações sociais e familiares, resultando no afastamento do convívio social, uma vez que as drogas passam a ser o foco central dos indivíduos.

 
Por outro lado, a família tem sido considerada como um recurso importante para o tratamento de dependentes de drogas ao fornecer um ambiente seguro e atuando como fonte de apoio. Ao propiciar atenção, afeto, proteção, conforto e empatia, as famílias são capazes de promover comportamentos saudáveis, aumentando as chances de que esses comportamentos sejam mantidos ao longo do tempo.

Como engajar os familiares no tratamento?

1) Identificar qual(is) familiar(es) que o usuário de drogas tem como referência;
2) Entrar em contato com o(s) familiar(es) de referência e formar um grupo de suporte;
3) No grupo, avaliar as crenças dos familiares sobre o uso de drogas e realizar uma psicoeducação do uso de drogas.

A inclusão do tema estigma no tratamento e no cuidado ao usuário é muito importante para a melhora da sua ação. Para isso, sugerimos que gestores, equipe e profissionais procurem planejar ações de redução de estigma, conforme propomos nesse material. O planejamento em grupo, envolvendo toda a equipe e família, aumenta significativamente o impacto dessa estratégia.

Fonte: Secretaria Nacional de Politicas Sobre Drogas

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