Apesar dos relatos do uso milenar de drogas, a mudança do contexto
de uso, anteriormente ligado para fins ritualísticos, passando principalmente
para o recreacional e ligados ao prazer, tem trazido alguns desafios para a
sociedade moderna. Acrescenta-se a isso, aspectos geopolíticos, culturais,
ideológicos e econômicos envolvidos no tema que são base para interpretações do
que pessoas e sociedades pensam e julgam sobre o comportamento de consumo de
drogas.
Portanto, é importante entendermos em que contexto fazemos nossos
julgamentos sobre “o que é usar drogas” e o que está por trás do que é lícito
ou ilícito. Frente à complexidade do tema, temos o grande desafio de organizar
nossos serviços e sistemas de cuidados aos usuários de drogas para evitar que
estes reflitam visões equivocadas sobre como “resolver o problema das drogas”.
O preconceito, discriminação e estigma aos usuários é uma barreira importante
para o tratamento. Para além das abordagens técnicas de cuidado, a esfera da
relação entre profissional e usuário aparece como um fator fundamental para o
cuidado adequado.
Sabemos que muitos portadores de sofrimento mental e usuários de
drogas são alvo de estigmas que os excluem do direito ao cuidado à saúde.
Pretende-se, assim, contribuir para um tratamento mais adequado do estigma
relacionado aos usuários de drogas e para a realização de intervenções junto
aos mesmos a fim de reduzir o estigma e, consequentemente, melhorar o cuidado
da saúde dessas pessoas.
Qual
o papel da família para a recuperação de
dependentes
de substâncias e como incluí-la no
tratamento?
As pessoas que crescem em ambientes familiares sem regras claras e
com uma relação pobre com os membros da família apresentam maiores chances de
se engajarem em comportamentos de risco, como o abuso de álcool e outras
drogas. É sabido que pessoas com problemas com álcool e outras drogas sofrem um
impacto negativo em suas relações sociais e familiares, resultando no
afastamento do convívio social, uma vez que as drogas passam a ser o foco
central dos indivíduos.
Por outro lado, a família tem sido considerada como um recurso
importante para o tratamento de dependentes de drogas ao fornecer um ambiente
seguro e atuando como fonte de apoio. Ao propiciar atenção, afeto, proteção,
conforto e empatia, as famílias são capazes de promover comportamentos
saudáveis, aumentando as chances de que esses comportamentos sejam mantidos ao
longo do tempo.
Como engajar os familiares no tratamento?
1) Identificar
qual(is) familiar(es) que o usuário de drogas tem como referência;
2) Entrar
em contato com o(s) familiar(es) de referência e formar um grupo de suporte;
3) No
grupo, avaliar as crenças dos familiares sobre o uso de drogas e realizar uma
psicoeducação do uso de drogas.
A inclusão do tema estigma no tratamento e no cuidado ao usuário é
muito importante para a melhora da sua ação. Para isso, sugerimos que gestores,
equipe e profissionais procurem planejar ações de redução de estigma, conforme
propomos nesse material. O planejamento em grupo, envolvendo toda a equipe e
família, aumenta significativamente o impacto dessa estratégia.
Fonte: Secretaria Nacional de Politicas Sobre Drogas

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