"Drogas" Reduzindo o estigma entre usuários de drogas.

     


    O consumo de substâncias psicoativas faz parte da história da humanidade e está associado a diversas situações, tendo cada uma delas sua relevância social, política, econômica e religiosa em diferentes contextos e épocas.
   As drogas são substâncias que provocam alterações físicas e psicológicas nas pessoas que as consomem. Entre as drogas estão incluídas as substâncias lícitas, como álcool, tabaco e alguns medicamentos, e as substâncias ilícitas, como a maconha, o crack, LSD, ecstasy, opiáceos, entre outras.
Vale ressaltar que a relação dos indivíduos com cada substância psicoativa varia em função do contexto e de seu padrão de uso, podendo apresentar baixos riscos. Contudo, determinados padrões de consumo podem ser altamente disfuncionais, acarretando prejuízos biológicos, psicológicos e sociais.


O abuso e a dependência de drogas acarretam uma série de consequências negativas para a vida, incluindo problemas de saúde e psicológicos, prejuízos nas relações sociais e familiares, além de problemas legais e com a justiça.
Apesar dos relatos do uso milenar de drogas, a mudança do contexto de uso, anteriormente ligado para fins ritualísticos, passando principalmente para o recreacional e ligados ao prazer, tem trazido alguns desafios para a sociedade moderna. Acrescenta-se a isso, aspectos geopolíticos, culturais, ideológicos e econômicos envolvidos no tema que são base para interpretações do que pessoas e sociedades pensam e julgam sobre o comportamento de consumo de drogas.
Portanto, é importante entendermos em que contexto fazemos nossos julgamentos sobre “o que é usar drogas” e o que está por trás do que é lícito ou ilícito. Frente à complexidade do tema, temos o grande desafio de organizar nossos serviços e sistemas de cuidados aos usuários de drogas para evitar que estes reflitam visões equivocadas sobre como “resolver o problema das drogas”. O preconceito, discriminação e estigma aos usuários é uma barreira importante para o tratamento. Para além das abordagens técnicas de cuidado, a esfera da relação entre profissional e usuário aparece como um fator fundamental para o cuidado adequado.
Sabemos que muitos portadores de sofrimento mental e usuários de drogas são alvo de estigmas que os excluem do direito ao cuidado à saúde. Por essa razão, o presente material tem como objetivo apresentar alguns conceitos e ferramentas úteis para profissionais de diversas áreas e gestores. Pretende-se, assim, contribuir para um tratamento mais adequado do estigma relacionado aos usuários de drogas e para a realização de intervenções junto aos mesmos a fim de reduzir o estigma e, consequentemente, melhorar o cuidado da saúde dessas pessoas.


Frente a este contexto, é importante avaliar o uso de drogas e os usuários em uma relação complexa na qual a dimensão humana precisa ser considerada. Ou seja, é a forma como a pessoa se relaciona com a droga que deve ser considerada e não a droga em si. Muitos usuários perdem a oportunidade de terem acesso a um cuidado adequado por serem vítimas de preconceito e estigmatização. Para reverter esta situação, é preciso haver uma mudança de postura por parte dos profissionais.
Uma das razões que interferem diretamente no cuidado de dependentes de álcool e outras drogas é o estigma, que faz com que os usuários sejam vistos como perigosos, violentos e únicos responsáveis pela sua condição. Diversas razões podem justificar a estigmatização do uso de drogas, incluindo o fato de que, muitas vezes, o consumo de drogas não é visto como um problema de saúde, mas como falha de caráter, fazendo com que seja atribuída ao usuário a responsabilidade pelo aparecimento e pela solução do seu problema. Tal postura restringe as possibilidades de acolhimento e acesso para pessoas que apresentam problemas com o uso de drogas. O estigma e a discriminação de usuários de drogas afeta negativamente a qualidade dos serviços prestados, podendo constituir uma barreira para a busca por ajuda, além de limitar o acesso e a utilização dos serviços.

 Exemplos de crenças estigmatizantes no cenário dos serviços de saúde:



Com isso, nós não temos motivação para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento por acreditarem que os usuários não irão conseguir parar de consumir drogas e, consequentemente, tendem a se afastar destas pessoas.

Mas o que é o estigma?

O estigma é uma construção social que representa uma marca a qual atribui ao seu portador um status desvalorizado em relação aos outros membros da sociedade. Ocorre na medida em que os indivíduos são identificados com base em alguma característica indesejável que possuem e, a partir disso, são discriminados e desvalorizados pela sociedade. Esse tipo de estigma é chamado de estigma social ou público.
Os usuários de drogas sofrem constantemente com os efeitos prejudiciais do processo de estigmatização. Consequências como perda da autoestima, restrição das interações sociais e perspectivas limitadas de recuperação influenciam negativamente no tratamento dos usuários de drogas. Além disso, as informações deturpadas transmitidas pela mídia somadas à falta de conhecimento sobre o transtorno faz com que os usuários de drogas sejam temidos e vistos como incapazes de se recuperar. Assim, sofrem com a desconfiança, estereótipos negativos, preconceitos e discriminação.







"É importante compreender que o estigma existe em um círculo vicioso: o estigma encoraja o preconceito e a discriminação e estes, por sua vez, reforçam a ocorrência do estigma".





Será que os usuários de drogas percebem o estigma associado à sua condição?

A percepção do estigma ocorre à medida que o usuário se torna consciente das visões negativas que as outras pessoas da sociedade têm sobre o uso de drogas. Essa percepção pode desencorajá-lo a buscar serviços de tratamento na tentativa de evitar que ele seja visto como parte de um grupo estigmatizado. Além disso, como uma consequência direta da percepção do estigma, os usuários podem passar a concordar com essa visão negativa da sociedade e aplicar os estereótipos negativos a si próprios, oO estigma internalizado é um processo subjetivo que faz com que o usuário de drogas tente esconder a sua condição dos outros para que consiga evitar as experiências de discriminação. As consequências desse processo são extremamente prejudiciais:
Os usuários de drogas sofrem constantemente com os efeitos prejudiciais do processo de estigmatização. Consequências como perda da autoestima, restrição das interações sociais e perspectivas limitadas de recuperação influenciam negativamente no tratamento dos usuários de drogas. Além disso, as informações deturpadas transmitidas pela mídia somadas à falta de conhecimento sobre o transtorno faz com que os usuários de drogas sejam temidos e vistos como incapazes de se recuperar. Assim, sofrem com a desconfiança, estereótipos negativos, preconceitos e discriminação.
É importante compreender que o estigma existe em um círculo vicioso: o estigma encoraja o preconceito e a discriminação e estes, por sua vez, reforçam a ocorrência do estigma.



 Qual o impacto do estigma para o tratamento?

Ao sofrerem os efeitos da estigmatização, os usuários de drogas evitam buscar ajuda para o tratamento de suas condições, agravando os problemas de saúde e, mesmo quando procuram o tratamento, a adesão é baixa, caracterizando idas e vindas aos serviços de saúde em função, muitas vezes, de uma intervenção desumanizada e discriminatória.

Outra consequência direta do estigma internalizado para o tratamento é o impacto negativo da baixa autoestima e baixa autoeficácia que interferem na realização dos objetivos de vida. Os usuários de drogas não acreditam que possam se beneficiar do tratamento porque se sentem incapazes. Assim, os sentimentos de desvalor e de incapacidade fazem com que eles pensem que não existem razões para se recuperar.

Como enfrentar o estigma?

      O tratamento da dependência deve ser visto como uma parceria entre profissional, usuário, família e comunidade, sem que a responsabilidade pela recuperação caia inteiramente sobre uma das partes. 
        Antes de se pensar em enfrentar o estigma, é de extrema importância que os profissionais de estejam conscientes da forma como pensam sobre os usuários de drogas. Percepções estigmatizantes e estereotipadas podem afetar a motivação do profissional para lidar com o problema de saúde.


Fonte: Senad (Secretária Nacional de Politicas sobre Drogas)

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