Você sabe quais são as estratégias
de redução de danos?
de redução de danos?
A Redução
de Danos (RD) é um conjunto de princípios e ações para a abordagem dos
problemas relacionados ao uso de drogas, utilizado internacionalmente e apoiado
pelas instituições formuladoras das políticas sobre drogas no Brasil, como a
Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (SENAD) e o Ministério da Saúde.
A RD não pressupõe que deva haver imediata e obrigatória
extinção do uso de drogas – no âmbito da sociedade ou no caso de cada sujeito,
seu foco incide na formulação de práticas direcionadas aos usuários de drogas e
aos grupos sociais com os quais eles convivem, que têm por objetivo a
diminuição dos danos causados pelo uso de drogas.
Embora estejamos acostumados a
relacionar a proibição à periculosidade oferecida pelas distintas substâncias,
o que define se as drogas são legais ou ilegais não é a ausência ou a presença
de riscos. Por exemplo, drogas que em nossa sociedade são permitidas podem ter
grande potencial de dano. Álcool, nicotina, opioides (morfina,
codeína e a meperidina) e benzodiazepínicos são drogas lícitas (que têm sua
produção, distribuição e consumo regulados por leis), mas podem provocar
dependência e morte.
Cabe destacar que a Estratégia de Redução de Danos é tolerante,
pois evita o julgamento moral sobre os comportamentos relacionados ao uso de
substâncias psicoativas e às práticas sexuais, por exemplo, evitando
intervenções autoritárias e preconceituosas. Além disso, contempla a
diversidade, visto que compreende que cada sujeito estabelece uma relação
particular com as substâncias e que a utilização de abordagens padronizadas
como pacotes prontos e impostos para todos é ineficaz e excludente –
especialmente porque muitos serviços que trabalham com a lógica da exigência da
abstinência excluem usuários que não querem ou não conseguem se manter
abstinentes.
As Estratégias de Redução de Danos
não pressupõem que deva haver imediata e obrigatória extinção do uso de drogas,
mas formulam práticas, direcionadas àqueles que usam drogas e aos grupos
sociais com os quais convivem, que visam diminuir os danos causados por elas. A
Redução de Danos acolhe a diversidade de usuários e não se sustenta na
exigência obrigatória da extinção do uso. Seu objetivo é, principalmente, a
diminuição dos danos físicos, psicossociais e jurídicos relacionados ao uso de
drogas.
REDUÇÃO DE DANOS COMO
ESTRATÉGIA DE CUIDADO
Nas estratégias
de cuidado pautadas na Redução de Danos, a definição do objetivo, das
metas intermediárias e dos procedimentos não é imposta, mas discutida com o
usuário. A interrupção do uso de álcool e de outras drogas quase sempre é um
dos objetivos, mas outros avanços são valorizados, como evitar colocar-se em
risco, melhorar o relacionamento familiar e recuperar a atividade profissional.
Muitas outras dimensões da vida (relacionamento familiar e no trabalho/escola,
condições clínicas e psíquicas, relações com a lei etc.) são usadas também para
a avaliação do resultado do tratamento. A participação do usuário nas escolhas
das metas e etapas do tratamento valoriza e aumenta a sua motivação e seu
engajamento.
O tratamento ao usuário, que tem a Redução de Danos como uma
das estratégias de cuidado, não tem como foco principal a substância, mas o
sujeito integral e sua rede de relações. Nessa perspectiva, na situação
problematizadora.
A evolução flutuante – com avanços e recursos, paradas e
recaídas – também ocorre nos tratamentos que exigem abstinência. Uma das
diferenças é que, com a Estratégia de Redução de Danos, não ocorre a exclusão
daqueles que não querem ou não conseguem interromper o uso da substância.
A troca de uma droga por outra que diminua riscos e danos
também é um exemplo
de uma prática de Redução de Danos. É o caso do uso de
benzodiazepínicos (BZD), como o clordiazepóxido ou o diazepan, no tratamento da
abstinência alcoólica, uma rotina nos serviços médicos no Brasil e no exterior.
Muitas pessoas com problemas com o álcool podem interromper esse uso sem
precisar utilizar uma medicação; mas, em muitos casos, principalmente nos mais
graves, a substituição pelo BZD pode ser necessária. Com a terapia de
substituição, a interrupção do uso de drogas pode ser um objetivo a ser
alcançado mais adiante.
No quadro a seguir, você pode compreender melhor essa
diferenciação entre ações de prevenção e tratamento na Redução de Danos.
Figura 2: O quadro acima esclarece como acontece as
ações de prevenção e de tratamento permeadas pela política da Redução de
Danos. Fonte: NUTE-UFSC (2016).
DESAFIOS
Ainda existem grandes desafios para que se encontrem soluções
mais satisfatórias para os problemas com as drogas. Entre eles, está a
situação em que o sujeito, por conta do seu envolvimento com drogas, está
colocando sua vida em risco ou oferecendo risco para os demais, mas, apesar
disso, não percebe ou não aceita a necessidade do tratamento. Nessa situação, é
importante diferenciar o que é um risco imediato, concreto e grave, e o que é
um risco suposto, em longo prazo, ou menos provável. Por exemplo, pessoas que
fumam cigarro de tabaco estão se expondo a um risco de vida em longo prazo. Não
se cogita, no entanto, tratamento compulsório para fumantes.
Por outro lado, um jovem que usa uma droga e se coloca
continuamente em risco, sem perceber a necessidade de tratamento, pode precisar
receber alguma forma de controle externo para preservação da sua vida ou das
pessoas com quem convive. De uma forma geral, seus entes mais próximos
(familiares, amigos, colegas ou chefia de trabalho) podem ajudá-lo a
restabelecer seu controle da vontade e, para isso, precisam exercer alguma
pressão, constituindo um controle externo provisório. Em casos mais graves, ou
quando os familiares não conseguem funcionar como essa instância de controle externo,
a intervenção dos profissionais da saúde pode ser necessária.
Atualmente, profissionais e entidades da Justiça se
capacitam, compreendendo a questão das drogas de forma mais ampliada, por sua
vertente social e de saúde, para desenvolverem parcerias com outros
profissionais e serviços. Temos, contudo, que considerar a complexidade das
questões e a particularidade da situação diversa de cada um dos envolvidos. O
que pode funcionar muito bem para um usuário pode ter resultados desastrosos
para outro.
Fonte: Secretária Nacional de Politicas sobre Drogas.


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