Será que os usuários de drogas percebem o estigma associado à sua
condição?
A percepção do
estigma ocorre à medida que o usuário se torna consciente das visões negativas
que as outras pessoas da sociedade têm sobre o uso de drogas. Essa percepção
pode desencorajá-lo a buscar serviços de tratamento na tentativa de evitar que
ele seja visto como parte de um grupo estigmatizado. Além disso, como uma
consequência direta da percepção do estigma, os usuários podem passar a
concordar com essa visão negativa da sociedade e aplicar os estereótipos
negativos a si próprios, o que caracteriza o estigma internalizado.
O estigma
internalizado é um processo subjetivo que faz com que o usuário de drogas tente
esconder a sua condição dos outros para que consiga evitar as experiências de
discriminação. As consequências desse processo são extremamente prejudiciais:
Qual o impacto do estigma para o tratamento?
Ao sofrerem os
efeitos da estigmatização, os usuários de drogas evitam buscar ajuda para o
tratamento de suas condições, agravando os problemas de saúde e, mesmo quando
procuram o tratamento, a adesão é baixa, caracterizando idas e vindas aos
serviços de saúde em função, muitas vezes, de uma intervenção desumanizada e
discriminatória.
Outra consequência
direta do estigma internalizado para o tratamento é o impacto negativo da baixa
auto estima e baixa autoeficácia que interferem na realização dos objetivos de
vida. Os usuários de drogas não acreditam que possam se beneficiar do
tratamento porque se sentem incapazes. Assim, os sentimentos de desvalor e de
incapacidade fazem com que eles pensem que não existem razões para se
recuperar.
Como enfrentar o estigma?
O tratamento da
dependência deve ser visto como uma parceria entre profissional, usuário,
família e comunidade, sem que a responsabilidade pela recuperação caia
inteiramente sobre uma das partes. Antes de se pensar em enfrentar o estigma, é
de extrema importância que os profissionais estejam conscientes da
forma como pensam sobre os usuários de drogas. Percepções estigmatizantes e
estereotipadas podem afetar a motivação do profissional para lidar com o
problema de saúde.
Antes de pensar em
estratégias de redução, como vocês, gestores e profissionais de saúde veem os
usuários de drogas?
Questionamentos sobre a própria visão sobre os usuários de drogas
Estratégias de redução de
estigma
Considerando o
impacto negativo da estigmatização para o tratamento dos usuários de drogas,
estratégias de redução de estigma têm sido apresentadas como uma forma de se
abordar essa temática nos serviços de saúde. Apresentaremos, a seguir, algumas
possíveis estratégias de enfrentamento para trabalhar as visões estigmatizantes
da população em geral e dos próprios usuários acerca do uso de drogas, e com
relação às expectativas negativas sobre o futuro deles.
Estratégias de redução do estigma social
• Protesto: se refere
à mobilização social sobre aspectos relacionados ao uso de drogas, entre eles,
o uso de linguagem pejorativa através da qual a mídia exerce um papel de
divulgação de imagens negativas em relação aos usuários de drogas.
• Contato: promover o
contato com usuários de substâncias pode ajudar a diminuir opiniões negativas a
respeito deles, a partir da troca de experiências, bem como da possibilidade de
testar algumas crenças errôneas.
• Educação: inclui
apresentações, discussões, simulações e filmes que visam alterar atitudes e
comportamentos em um nível comunitário, levando à diminuição da discriminação,
o que geralmente é o primeiro passo e pode ser combinado com outras
estratégias.
Estratégias de redução ao
estigma Internalizado
• Grupos de suporte:
contribuem para a construção de uma noção de identidade, autoestima,
habilidades de enfrentamento e integração social. Suporte mútuo consiste em
encorajamento para adesão ao tratamento, no qual há compartilhamento de
experiências entre os membros. Através da troca de informação por meio de
abordagens educacionais, o público em geral é incluído no processo.
• Autonomia: estratégia que permite trabalhar a promoção de autonomia para que os
usuários de drogas se tornem ativos no processo de recuperação.
Como avaliar o estigma internalizado?
Para avaliar o
estigma internalizado, há uma escala denominada ISMI-BR Versão Brasileira da Escala de Estigma
Internalizado de Transtorno Mental adaptada para Dependentes de Substâncias
(Soares, 2011) que, embora não permita uma classificação direta, pode ser uma
importante ferramenta na compreensão deste fenômeno. A escala é de fácil
aplicação e apresenta bons índices de confiabilidade e validade. O instrumento
construído para transtorno mental geral, que foi traduzido e validado no Brasil
para dependentes de substâncias, contém 29 itens agrupados tematicamente em
cinco fatores descritos abaixo:
Qual o papel da família para a recuperação de dependentes de substâncias e como incluí-la no tratamento?
As pessoas que crescem em ambientes
familiares sem regras claras e com uma relação pobre com os membros da família
apresentam maiores chances de se engajarem em comportamentos de risco, como o
abuso de álcool e outras drogas. É sabido que pessoas com problemas com álcool
e outras drogas sofrem um impacto negativo em suas relações sociais e
familiares, resultando no afastamento do convívio social, uma vez que as drogas
passam a ser o foco central dos indivíduos.
Por outro lado, a família tem sido considerada como um recurso
importante para o tratamento de dependentes de drogas ao fornecer um ambiente
seguro e atuando como fonte de apoio. Ao propiciar atenção, afeto, proteção,
conforto e empatia, as famílias são capazes de promover comportamentos
saudáveis, aumentando as chances de que esses comportamentos sejam mantidos ao
longo do tempo.
Como engajar os familiares
no tratamento?
1) Identificar qual(is) familiar(es) que o usuário de drogas tem como
referência;
2) Entrar em contato com o(s) familiar(es) de referência e formar um
grupo de suporte;
3) No grupo, avaliar as crenças dos familiares sobre o uso de drogas
e realizar uma psicoeducação do uso de drogas.
Fonte: Secretária Nacional de politicas sobre drogas(Senad).




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