sábado, 9 de abril de 2016

"Drogas" estigma associado à condição do usuário


Será que os usuários de drogas percebem o estigma associado à sua condição?

A percepção do estigma ocorre à medida que o usuário se torna consciente das visões negativas que as outras pessoas da sociedade têm sobre o uso de drogas. Essa percepção pode desencorajá-lo a buscar serviços de tratamento na tentativa de evitar que ele seja visto como parte de um grupo estigmatizado. Além disso, como uma consequência direta da percepção do estigma, os usuários podem passar a concordar com essa visão negativa da sociedade e aplicar os estereótipos negativos a si próprios, o que caracteriza o estigma internalizado.

O estigma internalizado é um processo subjetivo que faz com que o usuário de drogas tente esconder a sua condição dos outros para que consiga evitar as experiências de discriminação. As consequências desse processo são extremamente prejudiciais:

 Qual o impacto do estigma para o tratamento?

Ao sofrerem os efeitos da estigmatização, os usuários de drogas evitam buscar ajuda para o tratamento de suas condições, agravando os problemas de saúde e, mesmo quando procuram o tratamento, a adesão é baixa, caracterizando idas e vindas aos serviços de saúde em função, muitas vezes, de uma intervenção desumanizada e discriminatória.
Outra consequência direta do estigma internalizado para o tratamento é o impacto negativo da baixa auto estima e baixa autoeficácia que interferem na realização dos objetivos de vida. Os usuários de drogas não acreditam que possam se beneficiar do tratamento porque se sentem incapazes. Assim, os sentimentos de desvalor e de incapacidade fazem com que eles pensem que não existem razões para se recuperar.

 Como enfrentar o estigma?

O tratamento da dependência deve ser visto como uma parceria entre profissional, usuário, família e comunidade, sem que a responsabilidade pela recuperação caia inteiramente sobre uma das partes. Antes de se pensar em enfrentar o estigma, é de extrema importância que os profissionais estejam conscientes da forma como pensam sobre os usuários de drogas. Percepções estigmatizantes e estereotipadas podem afetar a motivação do profissional para lidar com o problema de saúde.
Antes de pensar em estratégias de redução, como vocês, gestores e profissionais de saúde veem os usuários de drogas?
Questionamentos sobre a própria visão sobre os usuários de drogas

 Estratégias de redução de estigma

Considerando o impacto negativo da estigmatização para o tratamento dos usuários de drogas, estratégias de redução de estigma têm sido apresentadas como uma forma de se abordar essa temática nos serviços de saúde. Apresentaremos, a seguir, algumas possíveis estratégias de enfrentamento para trabalhar as visões estigmatizantes da população em geral e dos próprios usuários acerca do uso de drogas, e com relação às expectativas negativas sobre o futuro deles.




Estratégias de redução do estigma social

Protesto: se refere à mobilização social sobre aspectos relacionados ao uso de drogas, entre eles, o uso de linguagem pejorativa através da qual a mídia exerce um papel de divulgação de imagens negativas em relação aos usuários de drogas.
• Contato: promover o contato com usuários de substâncias pode ajudar a diminuir opiniões negativas a respeito deles, a partir da troca de experiências, bem como da possibilidade de testar algumas crenças errôneas.
• Educação: inclui apresentações, discussões, simulações e filmes que visam alterar atitudes e comportamentos em um nível comunitário, levando à diminuição da discriminação, o que geralmente é o primeiro passo e pode ser combinado com outras estratégias.
Estratégias de redução ao estigma Internalizado

Grupos de suporte: contribuem para a construção de uma noção de identidade, autoestima, habilidades de enfrentamento e integração social. Suporte mútuo consiste em encorajamento para adesão ao tratamento, no qual há compartilhamento de experiências entre os membros. Através da troca de informação por meio de abordagens educacionais, o público em geral é incluído no processo.
      • Autonomia: estratégia que permite trabalhar a promoção de autonomia para que os usuários de drogas se tornem ativos no processo de recuperação.

Como avaliar o estigma internalizado?


Para avaliar o estigma internalizado, há uma escala denominada ISMI-BR  Versão Brasileira da Escala de Estigma Internalizado de Transtorno Mental adaptada para Dependentes de Substâncias (Soares, 2011) que, embora não permita uma classificação direta, pode ser uma importante ferramenta na compreensão deste fenômeno. A escala é de fácil aplicação e apresenta bons índices de confiabilidade e validade. O instrumento construído para transtorno mental geral, que foi traduzido e validado no Brasil para dependentes de substâncias, contém 29 itens agrupados tematicamente em cinco fatores descritos abaixo:



Qual o papel da família para a recuperação de  dependentes de substâncias e como incluí-la no tratamento?

       As pessoas que crescem em ambientes familiares sem regras claras e com uma relação pobre com os membros da família apresentam maiores chances de se engajarem em comportamentos de risco, como o abuso de álcool e outras drogas. É sabido que pessoas com problemas com álcool e outras drogas sofrem um impacto negativo em suas relações sociais e familiares, resultando no afastamento do convívio social, uma vez que as drogas passam a ser o foco central dos indivíduos.


Por outro lado, a família tem sido considerada como um recurso importante para o tratamento de dependentes de drogas ao fornecer um ambiente seguro e atuando como fonte de apoio. Ao propiciar atenção, afeto, proteção, conforto e empatia, as famílias são capazes de promover comportamentos saudáveis, aumentando as chances de que esses comportamentos sejam mantidos ao longo do tempo.





Como engajar os familiares no tratamento?

1) Identificar qual(is) familiar(es) que o usuário de drogas tem como referência;
2) Entrar em contato com o(s) familiar(es) de referência e formar um grupo de suporte;
3) No grupo, avaliar as crenças dos familiares sobre o uso de drogas e realizar uma psicoeducação do uso de drogas.



















Fonte: Secretária Nacional de politicas sobre drogas(Senad).

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